Harlem Shake e 'farmar aura': entenda a nova trend

Quem abre o TikTok, o Instagram ou o X tem se deparado com inúmeros vídeos de pessoas "farmando aura". A expressão, que surgiu no universo dos games e foi adotada pela Geração Z, passou a definir situações em que alguém demonstra tanto carisma, confiança ou criatividade que parece acumular uma espécie de "prestígio invisível". Ao mesmo tempo, outra onda começou a chamar atenção nas redes: a volta de vídeos e referências ao Harlem Shake, uma das maiores febres da internet em 2013.
A associação feita pelos usuários não aconteceu por acaso. Embora tenham surgido em momentos diferentes da história da web, os dois fenômenos passaram a ser comparados porque reúnem características que marcaram gerações distintas.
O que é "farmar aura" e por que a trend viralizou?
A expressão "farmar aura" nasceu a partir do verbo "farmar", bastante usado em jogos eletrônicos para indicar o ato de acumular recursos, experiência ou itens. Nas redes sociais, o termo ganhou outro significado. Em vez de reunir moedas ou pontos, quem "farma aura" acumula respeito, admiração ou presença diante das outras pessoas. Na prática, a expressão passou a ser usada para descrever pessoas que chamam atenção de forma natural.
Pode ser uma entrada marcante em uma festa, uma dança improvisada ou qualquer atitude que faça alguém parecer especialmente confiante diante do grupo. Quanto mais autêntico o momento, maior a "aura" atribuída pelos usuários. Em muitos casos, porém, a expressão também aparece de forma irônica para brincar com situações exageradas ou constrangedoras.
A popularidade da gíria aumentou depois que um vídeo do garoto indonésio Rayyan Arkan Dhika, dançando durante o tradicional festival Pacu Jalur, viralizou nas redes sociais. Nos comentários, usuários passaram a dizer que o menino estava "farming aura", expressão que rapidamente se espalhou e acabou popularizando a versão em português. O conceito logo deixou de aparecer apenas em memes e passou a inspirar vídeos no TikTok. Usuários começaram a organizar disputas informais para descobrir quem conseguia "farmar mais aura", enquanto outros reproduziam cenas exageradas ou levavam a brincadeira para encontros presenciais.
Por que o Harlem Shake voltou às conversas?
Impulsionado pelas comparações com a trend de "farmar aura", o Harlem Shake voltou a ganhar espaço nas redes sociais. A retomada, porém, não representa um novo boom como o de 2013, mas um movimento de nostalgia. Além de resgatar gravações antigas, muitos criadores de conteúdo passaram a recriar o formato clássico e publicar vídeos da tendência. Se para os mais jovens "farmar aura" é uma novidade, quem viveu a internet no começo da década passada reconheceu rapidamente a semelhança com o Harlem Shake.
Em 2013, uma série de vídeos usando a música "Harlem Shake", do produtor Baauer, deu origem a um dos maiores memes da história da internet. O vídeo começava com apenas uma pessoa dançando enquanto as demais aparentavam ignorar a cena. Quando a música chegava ao ponto de explosão, um corte brusco revelava todos fazendo movimentos aleatórios, usando fantasias e objetos inusitados. A combinação de surpresa, humor e facilidade para reproduzir o formato fez milhares de grupos gravarem versões em escolas, escritórios, universidades, quartéis e até programas de televisão.
Farmar aura x Harlem Shake: o que as duas trends têm em comum?
Apesar das comparações, os dois movimentos nasceram em momentos muito diferentes da internet e seguem propostas distintas. O Harlem Shake era baseado em um formato praticamente fechado. Bastava utilizar a música, reproduzir a estrutura dos primeiros segundos e gravar a explosão coletiva no momento certo para participar da brincadeira. Já "farmar aura" funciona mais como um conceito do que como uma coreografia. A ideia é transmitir personalidade, presença e criatividade em situações capazes de chamar a atenção de quem assiste.
As semelhanças entre os dois fenômenos estão menos no formato e mais na forma como se espalharam pelas redes sociais. Tanto o Harlem Shake quanto o "farmar aura" incentivam versões próprias, estimulam a participação coletiva e rapidamente entram para o vocabulário da internet. A comparação também mostra como a cultura digital cria seus próprios marcos geracionais. Fenômenos que dominam as redes se transformam em símbolos de uma época e voltam a circular anos depois. Foi esse processo que transformou o Harlem Shake em um marco da internet e explica por que tantos usuários enxergam em "farmar aura" um fenômeno semelhante para a geração atual.